segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Brincar na Terapia.

Winnicott já dizia que o brincar é universal. Somos "seres brincantes" e isto é intrínseco ao ser humano. Brincamos desde que nascemos - e há quem diga que brincamos antes mesmo disso, quando chutamos a barriga de nossas mães e elas dizem que seremos grandes jogadores de futebol. Desde então não paramos mais, fazemos de tudo um brinquedo e transformamos tudo em brincadeira. 

Muita gente não sabe, mas o brincar na vida de um ser humano, sobretudo durante a infância, é muito importante. Primeiro porque através do brincar a criança acelera o seu desenvolvimento: ela aprende a fazer coisas e a criar brincadeiras; aprende a socializar, a conviver, a trabalhar em grupo, a dividir e a respeitar o sistema de regras. O brincar instiga a curiosidade, melhora a autoconfiança, a autonomia, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração, da atenção e estimula também o lado motor e sensorial. Em segundo lugar, é através da brincadeira que o corpo da criança se comunica. Diferente dos adultos, que usam a fala como principal forma de expressão, a criança é ativa, ela é inquieta por natureza. Elas não sabem explicar como se sentem quando passam por situações complexas de medo, apreensão, ansiedade ou traumas, porque pra elas isso tudo é muito novo. Por isso seus corpos se agitam quando elas não conseguem representar algo pela palavra. E, por fim, brincar é importante porque é bom demais, convenhamos! Fica difícil acreditar que possa existir uma geração de adultos psicologicamente saudáveis se, na infância, eles foram crianças pouco estimuladas a serem criativas ou pouco estimuladas para expressar suas emoções, pois estavam ocupadas demais aprendendo a ser doutores, chefes, ou grandes homens.

Muita gente despreza o trabalho terapêutico com crianças por acreditar que estes profissionais estão sendo pagos apenas para brincar com seus filhos. Não é bem assim que funciona. Na terapia a brincadeira tem uma finalidade e é possível colher muitas informações sobre a criança, sobre seu contexto e sobre sua família/criação. Os psicólogos utilizam brinquedos como instrumento de trabalho para entrar no universo inconsciente da criança, pois acredita que o brincar testemunha a sua realidade psíquica.
Através do brinquedo e do brincar o terapeuta observa como a criança expressa suas emoções e como lida com situações cotidianas, bem como verifica como ela reage às frustrações, perdas e expectativas. A partir disso, faz a sua intervenção buscando fortalecer o aspecto emocional do menor. O brinquedo não é escolhido aleatoriamente, mas sim a partir do desenvolvimento da criança e do seu momento psíquico. Eles podem ser desde materiais gráficos (como papel, lápis, tesoura) ou estruturados (jogos competitivos, com regras, de tabuleiro), até massa de modelar, caixas, cubos, legos ou outros brinquedos do universo infantil, tais como bonecos, carrinhos, etc. E para provar a riqueza do trabalho psicológico, é a partir do brincar que, dentro do set terapêutico, o psicólogo consegue observar: 

·                     Qual brinquedo foi escolhido inicialmente pela criança, investigando porque ela escolheu este objeto e não outro. Ou seja, por qual razão este brinquedo atraiu sua atenção.

·                     O uso do espaço por parte da criança, afim de verificar se se trata de uma criança muito calma ou muito agitada, bem como sua necessidade de espaço.

·                     O uso do tempo como um indicador se a criança é dispersas demais ou muito atada ao estímulo.

·                     A manipulação do objeto no que se refere à psicomotricidade da criança, seus movimentos finos e o que é esperado para sua idade.

·                     A autonomia ou dependência da criança. Pode-se verificar se a mesma quis entrar no consultório acompanhada ou sem os pais; se conseguiu escolher sozinha os brinquedos, ou se ficou dependente da vontade do terapeuta; se é capaz de pedir ajuda ou se consegue realizar as atividades por si só.

·                     A curiosidade da criança.

·                     O uso da fala, estimulando-a sempre a conversar sobre o que está fazendo e como se sente em relação a isto.

·                     A plasticidade: sua criatividade, sua capacidade de abstração e de transformar elementos em outros (por exemplo, transformar uma mesa em uma casa).

Afirmo que, num consultório de psicologia clínica voltado para o público infantil, o principal indicador de que há algo errado com a criança é se, diante de tantos brinquedos, ela optar por não brincar. É quando não há o brincar, ou quando o brincar se dá de forma bizarra, que ascende-se a luz vermelha e constata-se que há alguma coisa fora do normal. Já dizia Winnicott: "O brincar é por si mesmo uma terapia, embora caiba ao psicoterapeuta a função de trabalhar com o material e o conteúdo do brincar." (1975) Portanto, intervir no brincar aponta a direção do tratamento na clínica com crianças. 

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El hecho de Jugar en la Terapia Psicológica

Winnicott decía que el hecho de jugar es universal. Somos "seres juguetones"  y eso nos es intrínseco. Jugamos desde que nacimos – y hay gente que suele decir que jugamos antes mismo de eso, cuando damos patadas dentro de la barriga de nuestras madres. Desde entonces no paramos más, hacemos de todo un juguete y convertimos todo en un juego.

Mucha gente no sabe, pero el hecho de jugar en la vida de un ser humano, sobretodo durante la infancia, es muy importante. Primeiro porque a través del hecho de jugar, los niños se desarrollan mas rápido: ellos aprenden a hacer cosas y a crear juguetes; aprenden a socializar, a convivir, a trabajar en grupo, a compartir y  a respetar el sistema de normas. El hecho de jugar instiga la curiosidad, mejora la autoconfianza y la autonomía, proporciona el desarrollo del lenguaje, del pensamiento, de la concentración, de la atención y estimula también las partes motriz y sensorial.  En segundo lugar, es a través del hecho de jugar que el cuerpo de los niños se comunica. Diferente de los adultos, que utilizan el lenguaje hablado como principal mecanismo de expresión, los niños son activos, son inquietos por naturaleza. Ellos no saben explicar como se sienten cuando viven situaciones complejas de miedo, incautación, ansiedad o traumas, porque para ellos todo eso son cosas nuevas. Por eso, sus cuerpos se ponen nerviosos cuando ellos no consiguen representar algo con la palabra. Y, por fin, jugar es importante porque es divertido, convengamos! Es difícil de creer que pueda existir una generación de adultos psicologicamente sanos si, durante la infancia, ellos fueran niños poco estimulados a ser creativos o poco estimulados a expressar sus emociones, pues estaban demasiado ocupados aprendiendo a ser doctores, jefes o grandes hombres y mujeres.

Muchos desprecian el trabajo terapéutico con los niños por creer que estos profesionales son pagados para jugar con sus hijos. No es así como funciona. En la terapia el hecho de jugar tiene un propósito y es posible obtener muchas informaciones acerca del niño, su contexto social y acerca de su familia o creación. Los psicólogos utilizan los juguetes como instrumento de trabajo para poder entrar en el universo inconsciente del niño, pues cree que el hecho de jugar indica su realidad psíquica.

A través de los juguetes y del hecho de jugar el psicólogo observa como el niño expresa sus emociones y como reacciona a las situaciones habituales, así como puede verificar como ella reacciona a las frustraciones, pérdidas y expectativas. A partir de eso, hace su intervención buscando fortalecer el aspecto emocional de los pequeños. Los juguetes no son seleccionados al azar, sino a partir del desarrollo del niño y de su momento psíquico. Ellos pueden ser desde materiales “gráficos” (tales como papel, lápiz, tijera) o “estruturados” (juegos de competición, con normas, de tablero), hasta mismo plastilina, cajas, cubos, legos o outros juguetes del universo infantil, tales como  muñecas, cochecitos, etc. Y para comprobar la riqueza del trabajo psicológico, es a partir del hecho de jugar que, dentro del ambiente terapéutico, el psicólogo consigue observar: 

·         Cual juguete fué seleccionado inicialmente por el niño, investigando porque él lo eligió y no a otro. Es decir, porqué razón este juguete le llamó la atención;

  •    La utilización del espacio por parte del niño, con el fin de verificar si el niño es demasiado tranquilo o agitado, así como su necesidad de espacio;

  •            La utilización del tiempo como un indicator de distracción o de demasiada atención en un solo estímulo;
  •      La manipulación del objeto en lo que se refiere a la psicomotricidad del niño, sus movimientos finos y lo que se espera para su edad;
  •             La autonomía o la dependencia del niño. Es posible verificar si a él le gusta entrar en la oficina acompañado o sin los padres; si él consigue eligir los juguetes por su propia cuenta, o si es dependiente de la voluntad del psicólogo; si es capaz de pedir ayuda o si consigue realizar las actividades solo;
  •              La curiosidad del niño;
  •     La utilización del lenguaje, estimulándole siempre a hablar acerca de lo que está haciendo y como se siente en relación a eso.
  •       La plasticidad: su creatividad, su capacidad de abstracción y de convertir unos elementos en otros (por ejemplo, convertir una mesa en una casa).

Afirmo que, en un despacho o en una consulta de psicología clínica dirigida al público infantil, el principal indicator de que hay algo malo en el niño es si, delante de tantos juguetes, él elige no jugar. Es cuando no hay el hecho de jugar, o cuando le ocurre de manera excepcional que se enciende una luz roja y se encuentra que hay algo fuera de la normalidad. Winnicott dijo que: "El hecho de hogar es por si mismo uma terapia, aunque toque al psicólogo la función de trabajar con el material y con el contenido del hecho de jugar." (1975) Por lo tanto, intervir en el juego apunta a la dirección del tratamiento en la clínica con los niños.

Traducido por Maria José Otero

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