domingo, 21 de fevereiro de 2016

Por quê você deve ler Mulheres que Correm com os Lobos

O livro “Mulheres que Correm com os Lobos: Mitos e Histórias do Arquétipo da Mulher Selvagem” é, sem sombra de dúvidas, o meu livro favorito no mundo. Chegou até mim por meio de uma professora da graduação de Psicologia e agora ele é a minha Bíblia, o meu Alcorão e o meu Mantra Sagrado. É um destes livros transformadores, que muda completamente sua maneira de ser e de agir. Penso que é leitura obrigatória para todas as mulheres, pois é impossível não se identificar de algum modo com algum dos capítulos.

A autora, Clarissa Pínkola Estés, é doutora em Psicología Analítica Junguiana e Etnoclínica, além de contadora de histórias, seu principal mecanismo de cura dos pacientes. Para ela, as histórias tem força e possuem ricas instruções de orientação nas complexidades da vida.

Nesta obra, ela fala sobre a semelhança que as mulheres tem com os lobos: ambos possuem a percepção aguçada, o espírito brincalhão, a capacidade para a devoção, são sociáveis, curiosos, fortes, intuitivos, tem grande preocupação para com seus filhores, seus parceiros e sua matilha. Além disso, são determinados, corajosos e se adaptam às circunstâncias em constante mutação. No entanto, as duas espécias sofreram perseguições ao longo da história e a ambas lhes foram atribuídos julgamentos que não eram verdadeiros. Por conta disso, pouco a pouco as mulheres foram perdendo seus instintos naturais e sofreram sucessivas “feridas na alma”, de modo que mulheres apertadas em  cintas, contidas e discretas passaram a ser consideradas “corretas”, enquanto àquelas que conseguiam fugir da coleira eram consideradas “rebeldes”. E assim seguimos até hoje.
O objetivo desta obra, então, é desconstruir esta imagem e, sobretudo, “dar coragem”(pág.35) àquelas que necessitam libertar o arquétipo da Mulher Selvagem (seus instintos naturais) de dentro delas. Ou seja, é destinado a todas as mulheres que se sentem cansadas, fracas, depressivas, confusas, presas, caladas, desestimuladas, assustadas, sem significado, inseguras, incapazes de realizações, que entregam a própria criatividade para outros, que escolhem parceiros, empregos ou amizades que lhes esgotam a energia, que se sentem incapazes de fixar limites e que sofrem por não viverem de acordo com seus próprios ciclos.
Dentre os temas abordados no livro, alguns me fazem amá-lo mais que outros:
  • La Loba” e “A Mulher Esqueleto” nos ensinam sobre o “ciclo vida-morte-vida”, que é o nosso grande aprendizado da vida: consiste em compreender exatamente o que deve viver e o que deve morrer - seja à nossa volta ou dentro de nós; 
  • O “Barba Azul” nos mostra que dentro de um único ser humano, existem outros muitos seres; que devemos conhecer quem são nossos predadores; e que devemos valorizar o poder de nossa intuição, de nossas idéias e de nós mesmas; 
  • A “Boneca Vasalisa” nos ensina que a mãe-boa-demais que levamos conosco, deve se tornar cada vez mas fraca em nosso processo natural de amadurecimento, para que descubramos como tomar conta de nós mesmas num mundo que não é maternal;
  • O “Patinho Feio” nos fala sobre o que é ser diferente, sobre o que é buscar por seu próprio grupo, e nos fornece um grande aprendizado sobre o isolamento ou sobre fingir ser o que não se é… Dentre muitas outras histórias.
Trata-se de um livro denso, com mais de 520 páginas, porém muito rico. Sua leitura, no entanto, deve ser feita com muita calma, pois possui uma linguagem rebuscada, por vezes prolíxa. Minha recomendação é de que você tenha em mãos um marcador de texto, e que se preocupe mais em asimilar a essência de cada capítulo, que de terminar a leitura de todos o mais rápido possível. Você poderá encontrá-lo em qualquer livraria. Seu preço varia entre r$60,00 e R$70,00. 

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